O Que é Reclassificação de Monta na Engenharia Veicular e Quando é Necessária?

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Quando um veículo sofre um acidente, as seguradoras e os órgãos de trânsito classificam os danos sofridos em diferentes categorias, conhecidas como montas. Essas classificações influenciam diretamente o que pode ou não ser feito com o veículo, desde a sua recuperação até a possibilidade de voltar a circular legalmente.

Dentro da engenharia veicular, um processo técnico importante é a reclassificação de monta — um procedimento que pode permitir que um veículo, inicialmente considerado irrecuperável, volte a ser regularizado. Mas quando isso é possível? E como funciona esse processo?

Neste artigo, você vai entender o que é a reclassificação de monta na engenharia veicular, quando ela é permitida e o que é necessário para realizá-la corretamente.

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O Que São as Montas de Veículos?

No Brasil, os veículos sinistrados (envolvidos em acidentes) são classificados em três categorias de monta:

1. Monta Leve

Danos superficiais, que não afetam a estrutura do veículo. O reparo é simples e o veículo pode voltar a circular normalmente.

2. Monta Média

Danos mais significativos, que podem afetar a estrutura parcial do veículo, mas ainda permitem recuperação mediante reparo técnico adequado. Nesses casos, o veículo precisa passar por vistoria e laudo de empresa especializada em engenharia veicular para voltar a circular.

3. Monta Grave

Danos estruturais severos, como comprometimento do chassi, longarinas e colunas. O veículo é classificado como irrecuperável e não pode voltar à circulação, devendo ser baixado definitivamente no Detran.

O Que é Reclassificação de Monta?

A reclassificação de monta é o processo em que a classificação original dos danos de um veículo sinistrado é reavaliada por um engenheiro credenciado. O objetivo é verificar se a categoria atribuída (leve, média ou grave) está correta e, se possível, ajustá-la com base em uma análise técnica detalhada.

Esse procedimento é realizado por meio de laudos técnicos de engenharia veicular, que podem indicar, por exemplo, que um veículo classificado como “monta grave” na verdade sofreu apenas danos de “monta média”, permitindo sua recuperação.

Quando a Reclassificação de Monta é Necessária?

A reclassificação se torna necessária em alguns cenários específicos:

1. Erro na Classificação Inicial

Em muitos casos, a seguradora ou o agente de trânsito classifica o veículo de forma equivocada, sem uma avaliação técnica profunda. Isso pode acontecer por excesso de cautela ou desconhecimento técnico.

2. Interesse em Recuperar o Veículo

O proprietário, ao discordar da classificação “grave”, pode solicitar uma reavaliação técnica, com objetivo de recuperar e regularizar o veículo.

3. Processo Judicial

Em disputas com seguradoras, é comum a solicitação de laudos periciais que indiquem uma classificação técnica diferente da que foi originalmente aplicada.

4. Veículo Histórico ou Raro

Em casos de carros antigos, de coleção ou com valor histórico, a reclassificação pode ser solicitada com base em projetos de recuperação adequados e comprovadamente seguros.

Quem Pode Fazer a Reclassificação?

Somente engenheiros mecânicos registrados no CREA, com experiência e capacitação em engenharia veicular, estão aptos a realizar o processo de reclassificação. O profissional emite:

  • Laudo Técnico de Vistoria
  • ART (Anotação de Responsabilidade Técnica)
  • Relatórios fotográficos e estruturais

Esse conjunto de documentos é apresentado ao Detran, que avalia e decide pela aprovação ou não da reclassificação.

Como Funciona o Processo de Reclassificação de Monta?

1. Análise Técnica

O engenheiro realiza uma inspeção minuciosa no veículo, verificando chassi, soldas, longarinas, estrutura interna, sistemas de segurança e mecânica geral.

2. Comparação com Laudo Original

Com base nos critérios técnicos do CONTRAN e normas da ABNT, o engenheiro avalia se o dano é compatível com a monta atribuída.

3. Emissão do Laudo

Se constatado que a classificação anterior foi incorreta, o profissional emite um novo laudo, sugerindo a reclassificação da monta.

4. Protocolo no Detran

O laudo é apresentado junto a outros documentos obrigatórios. O Detran analisa o pedido e, se aceitar a reclassificação, permite a continuidade do processo de regularização do veículo.

5. Vistoria Final e Liberação

Com tudo aprovado, o veículo passa por nova vistoria e, se estiver em conformidade, pode ser liberado para voltar a circular.

Reclassificação de Monta é Sempre Aprovada?

Não. A reclassificação só é aceita quando comprovadamente há erro técnico ou classificação equivocada. Se o dano for realmente grave, com comprometimento da estrutura principal, o veículo continua com baixa definitiva.

O objetivo não é “flexibilizar a lei”, mas corrigir erros e permitir a recuperação de veículos que ainda têm condições técnicas de uso seguro.

Quais São os Riscos de Tentar Reclassificar Sem Laudo?

Tentar burlar o processo ou apresentar documentos falsos pode levar a:

  • Multas
  • Processos administrativos no Detran
  • Responsabilização criminal
  • Perda definitiva do veículo

Por isso, a reclassificação deve sempre ser feita por meio legal, com engenheiros qualificados e documentação correta.

Conclusão: Reclassificar é Corrigir, Não Desrespeitar a Lei

A reclassificação de monta na engenharia veicular é uma ferramenta técnica que serve para corrigir possíveis equívocos e permitir a regularização de veículos sinistrados injustamente.

Ela não é garantida nem automática, mas quando realizada com critérios, pode devolver à circulação veículos com condições seguras de uso.

Se você possui um veículo com monta questionável, consulte um engenheiro especializado e verifique a viabilidade técnica da reclassificação. Segurança e responsabilidade vêm sempre em primeiro lugar.

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